Dia Mundial do Turismo 2026: um novo momento para o Brasil, entre crescimento, tecnologia e valorização das pessoas
Por Luiz Maggio
Neste domingo, 27 de setembro, o mundo celebra o Dia Mundial do Turismo, uma data que vai muito além de comemorar as viagens. É um momento para olhar para o setor, entender suas transformações e, principalmente, refletir sobre o papel que o turismo exerce na economia, na geração de empregos, na cultura e na aproximação entre povos.
No Brasil, os números de 2026 mostram um setor que vem ganhando força e ocupando um espaço cada vez mais importante na economia nacional. O país recebeu 6,4 milhões de turistas internacionais entre janeiro e agosto, mantendo o patamar recorde registrado no mesmo período do ano passado.
Mas não é apenas o número de visitantes que chama a atenção.
O turista estrangeiro está deixando mais recursos no Brasil
Entre janeiro e julho, os turistas internacionais movimentaram R$ 33,6 bilhões no país. O número apresentado pelo Ministério do Turismo às vésperas do Dia Mundial do Turismo representa uma alta de aproximadamente 34% em relação aos R$ 25 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Esse dinheiro não fica restrito aos grandes hotéis, restaurantes ou empresas de turismo. Ele circula por uma cadeia muito maior: transporte, comércio, gastronomia, cultura, entretenimento, artesanato, guias, agências, eventos e tantos outros serviços que fazem parte da experiência de quem visita um destino.
É justamente aí que está uma das grandes forças do turismo: o visitante chega a um lugar, mas seu consumo pode beneficiar muitas pessoas daquele território.
O brasileiro também está viajando mais pelo próprio país
O mercado interno apresenta números igualmente importantes.
De janeiro a agosto de 2026, foram 68,3 milhões de passageiros em voos domésticos, o maior volume registrado para o período. O número representa crescimento de cerca de 4% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
E esse movimento merece ser observado com atenção.
O Brasil é um país continental, com destinos que muitas vezes ainda são desconhecidos dos próprios brasileiros. Temos praias, montanhas, florestas, cidades históricas, gastronomia, festas populares, turismo rural, ecoturismo, turismo de aventura, cultura, patrimônio e uma diversidade que poucos países conseguem oferecer.
Viajar pelo Brasil significa também movimentar a economia brasileira.
Turismo também é emprego
Outro indicador importante está no mercado de trabalho.
O turismo já reúne 2,44 milhões de trabalhadores, e o setor registrou a criação de 93 mil novos empregos formais em um ano, segundo os números apresentados pelo Ministério do Turismo.
Por trás desses números existem pessoas.
São profissionais de hotéis, restaurantes, companhias aéreas, agências de viagens, eventos, transportadoras, parques, museus, atrativos turísticos, comércio e serviços.
É por isso que discutir turismo é discutir também renda, oportunidades e desenvolvimento regional.
Um destino turístico bem estruturado pode transformar a realidade de uma comunidade. Pode gerar empregos para os jovens, fortalecer pequenos negócios, preservar manifestações culturais e criar novas oportunidades para quem vive naquele território.
E agora entra um novo personagem: a Inteligência Artificial
Se os números mostram um turismo em crescimento, o tema escolhido para o Dia Mundial do Turismo 2026 aponta para outra transformação que já está acontecendo diante dos nossos olhos.
A ONU Turismo definiu para este ano o tema:
“Agenda Digital e Inteligência Artificial para redesenhar o turismo”.
Não se trata mais de perguntar se a tecnologia fará parte do turismo. Ela já faz parte.
Hoje, o viajante pesquisa destinos pela internet, compara preços, escolhe hotéis, restaurantes e passeios, utiliza mapas digitais, consulta avaliações e começa a recorrer também à Inteligência Artificial para montar roteiros e tomar decisões.
Para o setor, a transformação é ainda maior.
A IA pode ajudar destinos a entender o comportamento dos visitantes, melhorar a gestão, organizar informações, personalizar experiências e apoiar empresas que muitas vezes não possuem grandes estruturas tecnológicas.
Mas existe uma questão que considero fundamental: tecnologia não pode fazer o turismo perder aquilo que ele tem de mais importante — o ser humano.
A viagem continua sendo feita de encontros.
É a conversa com o garçom que conhece a história do restaurante. É o guia que apresenta uma cidade com paixão. É o artesão que explica como aprendeu seu ofício. É a comunidade que recebe o visitante. É a gastronomia preparada por quem conhece a tradição. É aquela história que não aparece necessariamente em um algoritmo.
A tecnologia pode ajudar. Mas quem dá sentido à viagem são as pessoas.
Esse talvez seja um dos grandes desafios do turismo nos próximos anos.
Precisamos utilizar a tecnologia para melhorar o turismo, e não para substituir a experiência humana.
Precisamos de destinos mais inteligentes, mas também mais acessíveis.
Precisamos de inovação, mas também de sustentabilidade.
Precisamos de dados para tomar decisões melhores, mas também de sensibilidade para entender cada território.
E precisamos lembrar que desenvolvimento turístico não pode significar apenas aumentar o número de visitantes. É necessário pensar quem ganha com esse crescimento, como os recursos permanecem no destino e como o turismo pode preservar aquilo que torna cada lugar único.
O papel do jornalista de turismo
Neste cenário, o trabalho do jornalista especializado em turismo também ganha uma nova dimensão.
Em um mundo com excesso de informação, produzir conteúdo não é simplesmente divulgar um destino.
É contextualizar, investigar, conferir, contar histórias e ajudar o leitor a enxergar aquilo que muitas vezes passa despercebido.
O jornalista de turismo tem a responsabilidade de mostrar destinos, mas também de falar sobre sustentabilidade, preservação, cultura, acessibilidade, economia, comportamento e os impactos que o turismo provoca nas comunidades.
E é justamente por isso que entidades como a ABRAJET — Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo têm um papel importante na valorização da informação profissional e na aproximação entre comunicação e turismo.
Um Brasil que precisa ser descoberto — e redescoberto
O Dia Mundial do Turismo chega em 2026 em um momento interessante para o Brasil.
Os números mostram crescimento. Os visitantes estão chegando. Os brasileiros estão viajando. O dinheiro está circulando. Novos empregos estão sendo criados.
Mas o desafio agora é transformar esse movimento em desenvolvimento duradouro.
Temos um território enorme e uma diversidade extraordinária. Ainda existem destinos que precisam ser descobertos, outros que precisam ser melhor estruturados e muitos que precisam encontrar uma forma de crescer sem perder sua identidade.
Talvez seja esse o verdadeiro significado de celebrar o turismo.
Não apenas comemorar quantas pessoas viajaram, mas perguntar:
Que país estamos construindo através das viagens?
Se conseguirmos unir crescimento econômico, preservação, tecnologia, informação de qualidade e valorização das pessoas, teremos um turismo cada vez mais preparado para o futuro.
Porque viajar continua sendo uma das melhores maneiras de conhecer o mundo.
E também de conhecer melhor o nosso próprio país.
Feliz Dia Mundial do Turismo!
27 de setembro de 2026
Luiz Maggio .’.
Jornalista MTB 62420
Editor do Jornal Digital ClickUS – Acontecimentos Mundiais
www.clickus.com.br
Conselheiro de Turismo do Estado de SP – CONTURESP
Conselheiro de Turismo do Município de SP – COMTUR
Vice-Presidente da ABRAJET SP
E-mail: luizmaggio@gmail.com
WhatsApp: +55 (11) 98270-1536
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